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Paisagismo compartilhado: a beleza e qualidade de vida que a nova geração procura

Por Danny Braz*

Que as novas gerações têm uma preocupação maior com o meio ambiente, isso já não é novidade. Os adultos de hoje cresceram em meio a movimentos sociais e culturais que incentivavam a valorização do verde, assim como a busca pelo belo. Faz parte de quem eles são, e está incutido na educação que passam a seus filhos. As gerações mais novas tendem a valorizar esses aspectos ainda mais. Há uma mudança de mentalidade entre os mais velhos, e um pensamento já enraizado em quem começa a jornada agora.

Ao contrário do que muitas vezes parece, essa é uma mudança que começou bem lá atrás. Nos anos 1960, as coisas já começavam a mudar não só socialmente, mas, sobretudo, por necessidades práticas. Com o tempo, a maior parte da população começou a migrar de residências para edifícios. Seguiu-se a isso uma busca por espaço para mais prédios, o que os fez começar a diminuir o tamanho das moradias. Os apartamentos e salas comerciais ficaram bem mais apertados, sem um espaço fundamental: o de relaxamento.

Regatec

Há no ser humano a necessidade de ter um ambiente relaxante, belo, tranquilo e onde até o ar seja mais limpo. Esses locais ajudam na lida com estresse e permitem a prática de atividades físicas. Foi por conta dessa necessidade, que jardins dentro dos condomínios começaram a ficar tão populares. Com a vida agitada que se desenvolveu, não havia espaço, ou mesmo tempo, para se ter um jardim em casa.

Apesar disso, a necessidade de caminhar, relaxar, manter a qualidade de vida em meio a uma beleza natural, nunca abandonou o ser humano. E os jardins compartilhados, dentro desses condomínios, passaram a atender perfeitamente a essas necessidades. As próprias construtoras, que antigamente colocavam lojinhas nos terraços de prédios comerciais, começaram a perceber que o lucro era irrisório, mas que jardins belos e bem planejados ampliavam os valores dos imóveis de 10 a 20%, agregando valor na venda do metro quadrado. As pessoas valorizavam esse tipo de edifício, onde o verde tem espaço.

Prédios ícone da cidade de São Paulo, como o Edifício Matarazzo, a WTorre Morumbi, as EZ Towers e o Hospital Sírio Libanês, por exemplo, são tidos como referências. Em Saigon, no Vietnã, o projeto Diamond Lotus, está unindo todos os edifícios que compõem o condomínio através de um imenso jardim suspenso no terraço, permitindo inclusive locomoção das pessoas entre as torres, através do jardim. A tendência é mundial.

Outras iniciativas também surgiram em residências, como o uso de telhados verdes. Eles são coberturas de vegetação especialmente arquitetadas sobre lajes ou coberturas. Já em prédios públicos ou antigos, paredões sem janelas foram usados para abrigar imensos jardins verticais. Em São Paulo, por exemplo, desde 2015 é permitido que construtoras, que desmataram alguma região, utilizem a construção de jardins verticais como uma compensação ambiental. Elas atendem à pedidos de moradores, que solicitam gratuitamente pela prefeitura que seus prédios abriguem um desses jardins.

Sem dúvida, há uma mudança progressiva de comportamento e pensamento. Soma-se a isso uma tendência a compartilhar, típica dos últimos anos, e já não é necessário que hajam jardins em cada casa. O importante é que haja bem estar e beleza – e o compartilhamento é muito mais vantajoso. Gasta-se muito pouco em manutenção. O investimento é das empresas e/ou construtoras. São toneladas de poluentes filtrados pelas plantas, gerando oxigênio para milhares de pessoas por dia – sem contar o resfriamento de temperaturas internas dos ambientes, o que traz a melhora da sensação térmica e gera uma redução de gastos com ar condicionado.

Contudo, é preciso escolher as plantas certas para cada local. A beleza é fundamental, uma base neutra com toques de cor e variedade de floração fazem parte do que traz o bem estar. Além disso, no aspecto prático, as plantas precisam ser resistentes ao sol, demandar pouca manutenção e não precisar ser trocadas com constância.

Um dos aspectos mais importantes é a irrigação. Sistemas manuais demandam mão de obra e gastos com contas de água caríssimas que podem inviabilizar projetos. Isso mostra a importância de sistemas de irrigação automáticos que se utilizam de água de chuva. Eles captam água, armazenam em reservatórios, irrigam cada planta com a quantidade exata de água para cada uma, quase não precisam de manutenção e ainda garantem reservas para períodos de estiagem. Sistemas assim possibilitam até oito meses sem usar água de reservatórios públicos.

A inteligência dos sistemas permite manter os jardins sempre belos, saudáveis e com economia de água. É evidente que melhorar a qualidade de vida é uma necessidade humana. Buscamos consciente e inconscientemente a beleza. O paisagismo compartilhado não é mais uma tendência, é a realidade do modo de pensar de uma geração inteira, que tende a se intensificar ainda mais com as que virão.

(*) Danny Braz é engenheiro civil, consultor internacional com foco em construções verdes e diretor geral da empresa Regatec.

Mais informações: http://www.regatec.com.br/

 

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Projeto de energia solar: é bom seguir em paralelo ao da obra civil

*Ruy Fontes

Gerar a própria energia através de um sistema fotovoltaico (SFV) é um desejo crescente entre a população. Muito dos clientes que buscam a Blue Sol para orçarem o seu sistema, o fazem na hora em que estão construindo as suas casas.

Mas é possível dimensionar um SFV antes que a construção esteja pronta? Quais as informações necessárias e quais as vantagens que isso apresenta para o projeto do sistema?

Além de possível, dimensionar o SFV em conjunto com o projeto da casa é muito benéfico para a futura instalação e desempenho do sistema. A razão é que, quando o projeto do SFV é desenvolvido paralelo ao projeto da casa, os engenheiros têm a liberdade de fazê-lo de maneira otimizada. Mas o que isso significa?

Quer dizer que, assim, a equipe poderá decidir qual a melhor orientação e inclinação para o telhado onde serão instalados os módulos fotovoltaicos, além de sugerir o espaço mais indicado e seguro para alocar o inversor e demais equipamentos, reduzindo a quantidade de cabos usados e garantindo um SFV devidamente alocado e integrado à residência.

Placa fotovoltaica (Freeimages)

Dessa forma, o melhor momento para o cliente solicitar o orçamento do seu sistema é antes de finalizar o projeto da sua nova casa ou antes que a laje esteja concretada. Tudo isso resultará na redução de custo e tempo para a instalação do SFV, além de garantir uma maior eficiência do mesmo, aumentando a sua lucratividade e reduzindo o tempo de retorno em seu investimento.

Projeto Civil e Elétrico

Entretanto, muitos dos clientes que buscam a tecnologia já estão mais avançados na construção de suas casas, às vezes já contando com o projeto civil e elétrico elaborados.

Quando os projetos arquitetônico e civil já estão prontos, com a estrutura da casa definida, a equipe de engenharia deverá então, munida desses documentos, estudar diversas informações necessárias para a futura instalação.

A primeira delas é o telhado da casa, onde serão fixados os módulos fotovoltaicos. Fatores como a orientação e inclinação, tipo (metálico, fibrocimento, outros), armação, área disponível e possíveis sombreamentos são algumas das informações analisadas.

A equipe deverá avaliar também o suporte (vigas) da construção, a fim de certificar qual o peso que poderá suportar, bem como as áreas disponíveis para acomodação do inversor interativo.

A partir do projeto elétrico, a equipe irá averiguar as informações necessárias para a instalação elétrica do sistema fotovoltaico. Serão conferidos, nessa parte, os eletrodutos disponíveis na obra e o padrão de entrada da casa (mono, bi ou trifásico, disjuntores e amperagem usados), além do local de instalação do quadro de distribuição geral e o disjuntor de entrada.

Consumo e Dimensionamento

Um dos pontos mais importantes, senão o mais importante, a ser destacado quando falamos nesse assunto é a forma como será feito o dimensionamento do SFV. Afinal, se ainda não existe consumo elétrico, como calcular a geração do sistema?

Porém, embora o consumo exato não possa ser estipulado, é possível chegar a um valor bem próximo através do estudo e cálculo de alguns fatores que interferem diretamente nessa demanda.

O padrão de consumo do cliente é o primeiro, e mais fácil, método para podermos chegar ao tamanho aproximado do futuro SFV, e consiste em analisar a média de consumo da antiga propriedade do cliente.

No entanto, o consumo da nova residência não irá, necessariamente, corresponder ao da antiga. Então, para calcular mais precisamente o tamanho do sistema, a equipe também deverá fazer uma análise dos equipamentos elétricos de maior potência que serão usados, como chuveiro elétrico, ar condicionado, eletrodomésticos, bombas d’água, entre outros.

Por fim, a análise da quantidade de pessoas que irão morar na casa e a rotina delas também fazem parte dos dados analisados. Caso os habitantes sejam um casal que pretende ter filhos no futuro, dimensionar o sistema já pensando nesse aumento do consumo é sempre o mais recomendado ao invés de expandi-lo mais adiante.

Todavia, o dimensionamento do sistema também varia muito de acordo com o perfil de cada cliente. Alguns solicitam um SFV para suprir determinado consumo em kWh, outros superdimensionam o projeto e cobrem todo o telhado com módulos, ou ainda aqueles, mais precisos, que solicitam um projeto feito de acordo com a metragem da obra.

Instalando o Sistema

Outro ponto importante a destacar é qual a melhor hora de instalar SFV. Muitos clientes desejam instalar o sistema juntamente com a construção da casa, o que, apesar de possível, traz alguns riscos que precisam ser previamente abordados.

Um canteiro de obra é um local perigoso para um conjunto de equipamentos de alto valor agregado como os que compõem o SFV. Por isso, averiguar as condições de armazenamento e segurança física dos mesmos é crucial para que não haja nenhuma surpresa desagradável.

Uma vez que o local da obra ficará desocupado em determinados períodos, a segurança contra o furto dos equipamentos também é outro fator que determina a validade ou não da instalação do sistema nessa fase do projeto da casa.

Entretanto, mesmo que o arranjo fotovoltaico e o inversor já possam ser instalados, nenhuma energia poderá ser aproveitada caso a parte elétrica da casa não esteja pronta, a qual geralmente é finalizada em uma fase mais avançada da construção.

No geral, o recomendado é que, por se tratar de um produto com alto valor agregado, o sistema fotovoltaico seja o último subprojeto a ser executado na obra, podendo assim já ser conectado à rede e começar a gerar os créditos energéticos e a economia na conta de luz.

(*) Ruy Fontes é analista de marketing da Blue Sol Energia Solar, empresa pioneira no desenvolvimento de projetos, instalação de sistemas fotovoltaicos e capacitação de empreendedores e mão de obra para o setor, com expansão por meio do franchising.

 

Lâmpadas LED: sinônimo de economia na conta de luz

Ligia Orlandini*

Desde que entrou em vigor, em janeiro de 2015, a bandeira tarifária já fez com que os brasileiros pagassem R$ 20 bilhões a mais em suas contas de luz, de acordo com a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). Em outubro, o governo anunciou o uso da bandeira de cor vermelha, o que indica que o custo da produção de energia está muito alto e que taxas ainda maiores podem ser cobradas dos consumidores. Lampadas Led

Mas o que fazer para não deixar a conta de luz comprometer ainda mais o orçamento familiar? A resposta é simples: mudar alguns hábitos e fazer um consumo mais consciente de energia. Um ótimo exemplo disso são as lâmpadas LED, até 90% mais econômicas que as incandescentes e até 30% mais econômicas que as fluorescentes.

Toda essa economia é proporcionada graças à eficiência da tecnologia LED. Com o uso de apenas 8W de potência, é possível deixar um ambiente iluminado com a mesma intensidade do que uma lâmpada incandescente de 60W ou de uma fluorescente de 15W.

Além de usar menos potência, os produtos LED possuem, em média, uma vida útil de 25 mil horas. Ou seja, se forem usados o dia todo, sem descanso, eles só precisariam ser trocados após dois anos e dez meses. Enquanto isso, as lâmpadas incandescentes têm vida útil de apenas mil horas e as fluorescentes compactas, de 8 mil horas.

Livre de metais pesados

A sustentabilidade é outro ponto positivo para as lâmpadas com tecnologia LED. Além do menor consumo de energia, e consequentemente, de recursos naturais para gerá-la, elas não emitem radiação ultravioleta ou infravermelha e ainda são livres de metais pesados ou mercúrio.

Mas um fator é ainda mais importante na hora de optar pelo LED: a procedência dos produtos. O consumidor precisa avaliar com cuidado se foram desenvolvidos por empresas que respeitam os padrões de qualidade, pois garante que as informações contidas no rótulo são verdadeiras. Tomando esse cuidado, o brasileiro certamente enxerga que, mesmo que custem um pouco mais em um primeiro momento, as lâmpadas LED tornam-se aliadas fortíssimas das finanças no médio prazo.

(*) Ligia Orlandini é gerente de Produto de lâmpadas LED da Ledvance para a América Latina.

 

Construções no Brasil não suportam terremotos

Marcio Benvenutti*

A Escala Richter mensura a magnitude de terremotos em uma régua de intensidade que vai até 9 e indica a potência de destruição destes fenômenos naturais. O abalo sentido no México no mês de setembro atingiu o grau 7,1 da escala, que indica possibilidade de danos graves em edifícios, e foi o que aconteceu. Grande parte dessa destruição ocorreu por conta das construções que não incorporavam tecnologias de segurança e prevenção a abalos.Edificios

Em 2011, no Japão, o terremoto seguido de tsunami causou prejuízos de mais de R$ 330 bilhões, mesmo com um histórico de investimento em tecnologias de engenharia civil desenvolvidas há muito anos pelo país.

O Brasil, apesar de não sofrer com este tipo de desastre, no primeiro semestre de 2017 foram registrados 62 abalos, sendo oito destes com magnitude entre 4,0 e 4,8, segundo dados do Centro de Sismologia da USP. Pela Escala Richter, a intensidade desses abalos pode causar quebra de vidros, provocar rachaduras nas paredes e deslocar móveis.

Amortecedores eletrônicos

No Japão, as construções empregam tecnologias nas estruturas de base, como sistema de molas que absorvem o tremor já no alicerce. Prédios mais tecnológicos já utilizam de amortecedores eletrônicos, que podem ser controlados à distância. Para ajudar a dissipar a energia quando a estrutura se movimenta em direções opostas e evitar que o prédio esmague os andares intermediários, é instalado um material especial para amortecer as junções entre as colunas, a laje e as estruturas de aço que compõem cada andar.

O Brasil possui mecanismos de controle em todo território nacional. Trata-se da Rede Sismográfica Brasileira. Com 85 estações, o monitoramento dos tremores é acompanhado em tempo real, e é capaz de diferenciar um abalo sísmico de uma explosão em uma pedreira, por exemplo. Apesar de não sentirmos a intensidade desses fenômenos por aqui, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) aprovou em 2006 a norma ABNT NBR 15421, que fixa os requisitos para a segurança das construções com relação a abalos sísmicos e as resistências que devem ser consideradas nos projetos.

Se atender estas normas pode aumentar o custo final da obra, em contrapartida poderá garantir benefícios no longo prazo, pois, mesmo com o constante monitoramento, os terremotos são imprevisíveis. Por fim, vale a máxima de que prevenir é melhor que remediar. O custo para a reconstrução de um edifício é muito maior do que incorporar essa tecnologia preventiva. Assim, evitamos prejuízos materiais, além de proteger o principal e irreparável bem: a vida humana.

(*) Márcio Benvenutti é engenheiro civil e empresário do setor de construção civil. Professor universitário com mestrado em geotecnia, também é diretor da regional do SindusCon-SP, em Campinas (SP).

As praças devem ser vistas como espaços de convivência social

Cemara Praca

Raquel Dei Santi*

Desde a primeira década dos anos 2000, a maioria das pessoas começou a praticar atividades físicas regularmente, como forma de cuidar da saúde física e mental. Por isso, as praças públicas voltaram a ganhar o status de espaço de convivência social, mas com algumas releituras das antigas praças. É o antigo em formato de novo, onde as pessoas podem praticar uma atividade física, lúdica ou um hobby, cuidando da saúde mental ou, até mesmo, aproveitando o tempo com a família, sem pagar por isso.

Raquel Dei Santi arquiteta da Cemara

Arquiteta Raquel Dei Santi

Como arquiteta e urbanista há mais de 15 anos, noto que as praças voltam com toda a força, oferecendo um convívio social que gera melhor qualidade de vida, além de bem-estar físico e psíquico. Na loteadora fundada pelo meu pai, adotamos o modelo em nossos empreendimentos há quatro anos. Em um de nossos loteamentos de Piracicaba (SP), por exemplo, estamos desenvolvendo a praça “Inspire-se”, que promove maior interação com os nossos cinco sentidos.

Ao passear pelo jardim de temperos, por exemplo, o morador terá o olfato e o paladar atiçados com aromas e sabores. Já o espaço tato será em formato de “mão”, composto por diferentes tipos de pisos como borracha, areia, cimento, entre outros, para proporcionar diversas sensações ao toque. Haverá também uma cortina de bambus que estará disposta em formato de uma “orelha” para percepção dos sons.

Viagens que inspiram

O desenvolvimento destes espaços não é uma tarefa fácil. Diversos fatores devem ser considerados ao montar um projeto desse tipo. Levamos em consideração aspectos como público – desde sua faixa etária até sua classe social –, clima da região, declividade do terreno e costumes regionais, já que cada lugar tem suas particularidades e carências.

Para buscar inspiração, viajo para diferentes lugares sempre que posso. É enriquecedor viajar com o olhar de arquiteto, já que consigo observar detalhes que, de outra forma, passariam despercebidos. Presto atenção em como os espaços estão sendo usados, o público frequentador, além de ver as cores dos equipamentos, o design dos mobiliários e os tipos de vegetação.

Há praças muito bem empregadas em inúmeros lugares, mas principalmente na Europa, onde os espaços são reduzidos e trazem o projeto para uma escala humana. São nos simples desenhos que se têm mais sucesso, como rampas gramadas para as crianças escorregarem, pisos de diferentes texturas, espaços para piqueniques, hortas e pomares comunitários.

Espaço democrático

Em outro empreendimento localizado em Americana (SP), me inspirei em Paris para a criação de uma ampla praça com ruas circulares e sistema viário concêntrico – que dá a percepção de infinito.

Há oportunidades para o desenvolvimento destas áreas em diversas regiões do Brasil. O público implora, cada vez mais, por melhorar a qualidade de vida em locais próximos de casa, sem pagar pelas horas de lazer. As praças, portanto, são mais do que uma fonte de respiro para os centros urbanos, ao mostrar seu potencial como espaço democrático para convivência entre famílias e amigos. As árvores e as plantas dividem espaço com uma infraestrutura que visa também o conforto e tranquilidade da população em meio a correria do dia a dia.

(*) Raquel Dei Santi é arquiteta e urbanista da Cemara Loteamentos

Por que não temos edifícios realmente altos em São Paulo?

*Por Hamilton de França Leite Jr.

São Paulo é a cidade com o 11o maior PIB do planeta, mas seu prédio mais alto, o Mirante do Vale, concluído em 1967, ocupa apenas a 2.344a posição no ranking dos maiores edifícios do mundo já concluídos (ver lista completa).

Mais alto

Burj Khalifa: 829 metros, em Dubai

O condomínio Millennium Palace, em Balneário Camboriú (SC), com 177 metros, é o mais alto do Brasil e o 2.034o colocado neste ranking. Com 829 metros, o Burj Khalifa (foto), em Dubai (Emirados Árabes Unidos), é atualmente o maior arranha-céu existente, mas ele deverá ser destronado em 2020 pelo Jeddah Tower, na Arábia Saudita, que terá 1 km de altura.

E quais são os benefícios obtidos pela sociedade com projetos desse porte?

Os arranha-céus são considerados símbolos de prosperidade, domínio tecnológico e modernidade de um país. Não por acaso, China e Estados Unidos, juntos, abrigam cerca de 60% dos 123 edifícios super-altos (aqueles com mais de 300 metros) do mundo.  Para as cidades, servem de marcos, pontos de referência e ajudam a definir sua identidade. Eles incrementam o valor turístico, pois atraem mais visitantes e proporcionam orgulho aos seus cidadãos.

Circulação dos ventos

Pela perspectiva técnica, quanto mais verticalizadas as edificações, menos ocupam área de projeção no solo. As áreas ao ar livre podem ser aproveitadas para o convívio social e lazer dos moradores e da vizinhança, neste caso, quando abertas para a utilização pública. Também podem disponibilizar mais áreas verdes e permeáveis, importantes para a mitigação de inundações.

Outro ponto positivo é que possibilitam melhor circulação dos ventos entre os prédios e a redução dos efeitos gerados pelo fenômeno conhecido como “ilha de calor”.

Além disso, devido ao rápido processo de urbanização em curso no planeta, as cidades precisam suprir a demanda da população por imóveis. A expansão horizontal nas regiões já urbanizadas reduz a pressão para o alargamento da ocupação humana sobre regiões ainda preservadas.

O espraiamento traz consigo outros efeitos indesejados, como a necessidade de investimento público para a implantação de novas infraestruturas urbanas e o tempo perdido com viagens realizadas diariamente pelos moradores das periferias, que geram perda de qualidade de vida, mais congestionamentos e poluição atmosférica.

Quanto mais alto for o edifício, menor a temperatura externa, com consequente menor necessidade de refrigeração do ambiente interno e consumo de energia – e maiores são as intensidades de vento, que podem viabilizar a geração de energia eólica em suas estruturas.

Em São Paulo

As Leis de Uso e Ocupação do Solo de São Paulo foram aprovadas em 2004 e 2016, durante gestões do Partido dos Trabalhadores, com baixos gabaritos de altura para as edificações em todo o município. Para que empreendimentos realmente altos se tornem realidade, são necessárias legislações urbanísticas baseadas em critérios técnicos sem preceitos ideológicos, que permitam construí-los em algumas regiões, localizadas fora dos corredores de tráfego aéreo.

A indústria imobiliária domina as tecnologias construtivas, possui capacidade empresarial e tem acesso aos recursos financeiros necessários para empreender estes ícones urbanos contemporâneos. E, nós que vivemos em São Paulo, desejamos experimentar o sentimento de orgulho e colher os benefícios socioeconômicos por eles oferecidos.

(*) Hamilton de França Leite Jr é diretor da FIABCI-Brasil e executivo da Universidade Secovi-SP

Contato: hl@hamiltonleite.com.br

 

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